Jesus expulsa os cambistas do templo - parte I


Jesus expulsa os cambistas do templo - parte I

Após ter participado do casamento, Jesus viajou a Jerusalém para o que seria seu primeiro ato público, a purificação do templo, fato que chamou tremenda atenção daqueles que pouco o conheciam.
Relatado em João 2, esse episódio provê interessantes vislumbres sobre como Jesus se posicionaria diante do sistema. Note que o capítulo começa com o casamento em Caná, seguido pela purificação do templo, e então a entrevista com Nicodemos em João 3. A sequencia é muito interessante.

“Depois disto [isto é, após o casamento em Caná] desceu Ele para Cafarnaum, com Sua mãe, Seus irmãos e Seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Estando próxima a páscoa dos Judeus, subiu para Jerusalém para a Pessach (a Páscoa judaica).” João 2:12 e 13.
No caminho para Jerusalém, Jesus viajou com uma grande multidão de pessoas. Porém, Ele era tão pouco conhecido nesse período, que podia misturar-Se com as pessoas, indo a Jerusalém simplesmente como qualquer um. Pouco tempo depois, isso seria impossível. 

Porém, agora você vê a Jesus indo de Cafarnaum a Jerusalém para a Páscoa simplesmente como um peregrino, conversando com as pessoas que estavam falando sobre o tal Messias que viria.
A Páscoa dos judeus, já não era mais a Páscoa do Senhor (Êxodo 12:27). Havia sido reduzida a uma festa religiosa judia, apenas um ritual para celebrar.
A celebração da Páscoa era feita anualmente no templo em Jerusalém. Todos os homens precisavam ir a Jerusalém três vezes por ano, para celebrar esta festa, a festa de Pentecostes, e a festa dos Tabernáculos. A Páscoa coincidia proximadamente com nosso 14 de abril  e durava uma semana: a Páscoa no primeiro dia e a festa dos Pães Asmos durante o resto da semana. A semana inteira comemorava o livramento dos judeus da escravidão no Egito (Êxodo 12:1-13).

Muitas famílias judias viajavam do mundo inteiro para Jerusalém durante estas festas fundamentais, assim a área do templo sempre ficava abarrotada durante a Páscoa com milhares de celebrantes forasteiros.
Todo israelita de vinte anos para cima devia pagar na tesouraria do templo meio siclo anualmente como oferta ao Senhor (Êxodo 30:13-15), e isto com a exata moeda de meio siclo hebraico.  Era exigido também das pessoas que oferecessem animais como sacrifício pelos pecados. Por causa da longa viagem, muitos não podiam trazer seus próprios animais. Além disso, tal viagem não faria bem aos animais que seriam rejeitados por causa de imperfeições decorrentes da viagem.

Os líderes religiosos permitiam que cambistas e comerciantes montassem bancas no pátio dos gentios, para a conveniência dos que compareciam, mediante uma taxa para ajudar na manutenção de templo. Os comerciantes e os cambistas faziam um negócio lucrativo no pátio do templo, à custa dos que usavam seus serviços. O templo de Deus estava sendo usado mal, pois predominavam a perseguição do ganho material e as práticas cobiçosas. A Casa do Senhor, que deveria ser casa de sacrifício (2 Crônicas 7:12) e casa de oração (Isaías 56:7) tinha se tornado em casa de negócio, uma feira.

O mundo do primeiro século não era tão diferente do atual: havia homens ricos e pobres, virtuosos e criminosos, livres e escravos. O templo em Jerusalém constituía-se em um lugar de peregrinação para todos aqueles que confessavam o judaísmo como sua religião. Era um lugar visitado por pessoas e comunidades de todas as nações. O templo (que já era o segundo) possuía quatro pátios. O primeiro era o pátio dos gentios (e chamava-sehieron), o qual era ocupado pelos mercadores que realizavam trocas (câmbio) de dinheiro e vendiam os animais.
Os frequentadores do templo juntamente com seus líderes religiosos haviam transformado o templo em "casa de comércio" e em "casa de privilégios” em uma religião de fachada. Historiadores afirmam que os movimentos comerciais relacionados ao templo eram monopolizados pelas famílias dos próprios sacerdotes.


Ao chegar ao Templo e se deparar com a quantidade de vendedores que ali comercializavam mercadorias o Mestre decepcionou-se com o que viu: o Templo fora transformado num antro de exploradores inescrupulosos, que se serviam do espaço sagrado para enriquecer, lançando mão dos mais vis artifícios de exploração. Na mais total impunidade, e com a cobertura dos sacerdotes, davam a impressão de estar prestando um grande serviço aos peregrinos. Situação, porém, insuportável para Jesus!

0 comentários:

Postar um comentário