Mateus 4:12-17; Marcos 1:14-15; Lucas 4:14-15

Em Viena, na Europa, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, viviam três psiquiatras judeus, dois eram mestres
eruditos e o outro era um jovem aprendiz. O primeiro mestre era um homem chamado Sigmund Freud, que passou anos  estudando as pessoas e se esforçava para compreender o que movia o ser humano. Chegou à conclusão de que a motivação mais básica dos seres humanos é o prazer. É a nossa necessidade de prazer que explica o porquê fazemos o que fazemos e como vivemos.

Alfred Adler
Alfred Adler

O segundo mestre era Alfred Adler, que também passou anos estudando o comportamento humano. Seus estudos o levaram a discordar de Sigmund Freud. Adler estava convencido de que o fator preponderante que dá sentido à vida e conduz o  comportamento humano é o poder. Segundo ele, todos nós crescemos nos sentindo inferiores e impotentes. Assim, para  ele, o objetivo da vida é ganhar o controle para percebemos que somos importantes.

O terceiro homem era um jovem psiquiatra com o nome de Viktor Frankl. Ele esperava seguir os passos de seus mentores. Mas antes de sua carreira ganhar qualquer impulso, dá-se início à Segunda Guerra Mundial. Os nazistas invadem a Europa e se tornam perigosos para os judeus. Freud e Adler, que já eram estudiosos mundialmente renomados, conseguem escapar antes de Hitler invadir suas cidades. Frankl não teve tanta sorte. Ele é preso e jogado em um campo de concentração nazista durante quatro longos anos.

Viktor Frankl
Viktor Frankl

Após o fim da Guerra, Frankl é libertado e retoma a sua carreira. Mas ele não volta mais como era antes. Retorna com uma reflexão sobre seu tempo como prisioneiro. Uma de suas observações é que as pessoas que sobreviveram ao Holocausto – genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, em todas as regiões da Europa – não eram as que se pensava que sobreviveriam. Ele observou, em seu tempo de prisioneiro, que muitos dos que eram fisicamente fortes, definharam e morreram, enquanto outros, que eram muito mais fracos fisicamente, sobreviveram. Por quê? O que lhes permitiu sobreviver naquele inferno aqui na Terra?

Frankl refletiu sobre as teorias de seus mentores e descobriu que o princípio do prazer de Freud não poderia explicar o que aconteceu nos campos de concentração. Durante os  quatro desesperados e terríveis anos, as pessoas que passaram pelos campos de  concentração nazistas só conheceram a dor, o sofrimento e a degradação. O prazer não era uma palavra no vocabulário deles. Não foi, portanto, o prazer que os manteve vivos.

E a teoria de Adler sobre o “poder” ser a necessidade humana básica? Esta não se saiu bem também no campo de concentração. Frankl e seus companheiros judeus foram seres humanos completamente impotentes durante o tempo em que viveram nos campos de concentração. Cada dia em que olhavam para o cano de uma arma carregada, eram tratados como animais, as botas enlameadas dos soldados nazistas em seus rostos, só os faziam lembrar de que eram impotentes e miseráveis. Eles não tinham
nenhuma perspectiva de poder.

Viktor Frankl saiu de lá com sua própria teoria. Segundo ele, a diferença entre aqueles que sobreviveram e os que pereceram, era a visão de um futuro brilhante. Aqueles que nunca sobreviveram, desistiram da crença de que a vida tinha significado e, que apesar de tudo que estava acontecendo ao seu redor, se escrevessem um roteiro de um futuro maravilhoso, se fizessem planos para esse futuro e se vivessem esses planos diariamente, dia após dia, viveriam uma vida cheia de propósitos significativos. Qual é o impulso humano básico?  Qual a única coisa que dá valor a vida? A nossa capacidade de viver um roteiro de vida com um sentido e um significado. Não o prazer! Não o poder! Mas um significado! E o que mais me fascina na vida de Jesus é o significado de sua vida. Jesus foi o tipo de pessoa que sabia o que deveria fazer e para onde ir a cada dia. Tinha uma agenda para cumprir e estava focado nela, pois sabia para onde ela o levaria.

Jesus tinha uma agenda, e você?

Foi assim que Ele escolheu o lugar onde iria morar, não se baseando nos pedidos dos seus pais, ou no que a religião pedia, mas na sua agenda, no seu roteiro de vida, na sua missão.

Quando Jesus ainda estava em Jerusalém, ouviu falar que seu primo, João Batista, havia sido preso, sendo esse um dos motivos para retornar à Galileia. Depois do primeiro ano de seu ministério público, Jesus mudou o foco de suas atividades para essa cidade e, durante dezoito meses, trabalhou entre os galileus, visitando os povoados que rodeavam o mar da Galileia.

Em meio a este primeiro ano de seu ministério na Galileia, Jesus despertou grande entusiasmo e o carinho dos galileus para com sua pessoa, devido ao trabalho que fazia. Neste tempo de estada na Galileia, Jesus precisava escolher um local para morar, já que ficaria por ali algum tempo. Em Israel, o lugar considerado top de linha para se morar era Jerusalém, o centro, a capital da adoração. Mas Jesus não foi morar lá. Foi para Galileia e acabou escolhendo morar em Cafarnaum. Mas por qual razão Jesus escolheu morar neste pequeno vilarejo da Galileia? Não seria mais estratégico morar em Jerusalém? Seria, se Cafarnaum não estivesse em sua agenda.

Como é demonstrado em Isaías, esta região vive nas trevas e sob humilhações, ao contrário da região da Judeia que tinha cidades como Belém, Betânia, Jerusalém, sendo que nesta última se concentrava o poder e a religiosidade. Já, na região da Galileia, o povo era mais simples e aberto para receber a mensagem do Evangelho, e como já vimos, Jesus teve uma boa aceitação por parte daquele povo comum, podendo assim exercer seu ministério sem dificuldades, como os ouvintes que,
provavelmente, encontraria em Jerusalém.

Mas o fator de maior peso para Jesus escolher Cafarnaum como residência fixa foi porque Ele conhecia muito bem o processo para o cumprimento das Escrituras. Uma delas era a profecia de Isaías que dizia que o Messias iria morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali. Jesus vivia e andava conforme as agendas das Escrituras.

E quem exerce tantas atividades tem uma agenda. Quando um chefe de Estado visita outro país, ele tem uma agenda a cumprir.
Nessa agenda estão todos os compromissos que precisa cumprir, sob pena de voltar ao seu país com muitas pendências. Jesus também teve uma agenda com muitos compromissos dos quais deveria se planejar para cumprir. O profeta Isaías fala em seu livro sobre diversas tarefas (agenda) que o Cristo que viria, deveria cumprir.

Na ocasião em que Jesus estava em Nazaré, quando foi rejeitado pelos seus conterrâneos, Ele não só confirma a agenda de Isaías, como também diz que é Ele quem veio para cumprir essas tarefas (Lucas 4.21). Em todos os Evangelhos o que se vê é Jesus trabalhando dentro das atividades descritas nessa agenda. Jesus não fez coisa alguma que não estivesse prevista na agenda. Então, ter uma agenda significa ter tarefas a cumprir.

Vemos aqui, novamente um padrão no maior Treinador de todos os tempos: o foco e a disciplina em viver seu roteiro de vida. Jesus sabia o que tinha de fazer e fazia. Durante toda sua juventude, antes mesmo de começar sua missão, estudou tudo sobre as profecias a
respeito do Messias, estudou todo o planejamento feito por Deus para sua vida.

Jesus tinha uma visão de futuro, um plano, e o seguia rigorosamente. Sua vida tinha um significado. Morar em Cafarnaum era uma peça do quebra-cabeça que fazia parte de sua missão de vida. Jesus não era um perdido levado pelos ventos de qualquer ideia ou sugestão. Sabia por qual razão estava neste mundo e qual seria seu futuro. Por isso Ele não vivia o roteiro dos outros.

Se naquele tempo ter uma lista de tarefas e compromissos documentados já era um importante detalhe no planejamento, imagine nos dias atuais. Com a correria e acúmulos de funções que vivemos nossos dias hoje, não é de se admirar que as agendas impressas ou digitais se tornaram uma ferramenta tão importante para nos manter organizados. A agenda é o instrumento mais importante na vida de uma pessoa organizada.

Em uma agenda você anota tudo o que você tem para fazer, principalmente nos dias futuros. Pode parecer óbvio, mas muita gente não faz isso e acaba se “desorganizando” no dia-a-dia porque não se lembrou da consulta ou da reunião importante com um cliente. Uma agenda é mais do que apenas uma lista de tarefas, datas e compromissos, ela conta a sua história. Ter uma agenda, faz com que nossos dias tenham mais sentido, pois quando você escreve em uma agenda o que tem que fazer no
dia seguinte, tem a chance de ressignificar se o que vai fazer é realmente importante.

Continua no próximo post.

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