Mateus 4.1-11; Marcos 1.12-13; Lucas 4.1-13

— Filha, não nade no rio!
— Ok, pai!

Mas no dia seguinte, ela voltou para casa carregando um maiô molhado.

— Onde você esteve?
— Nadei no rio, respondeu a menina.
— Eu não disse que você não deveria nadar lá?
— Disse, sim Senhor!
— Então, por que você fez isso?
— Bem, pai, como eu estava com o meu maiô, não pude resistir à tentação.
— Mas por que você levou o seu maiô?
— Então, é que quis estar preparada para nadar, caso eu fosse tentada.

Algumas pessoas caem em tentação por serem pegas de surpresa. Mas a maioria das pessoas, por incrível que pareça, faz planos para errar. Muitos de nós esperamos a tentação, e ao invés de fugir dela, provocamos mesmo!

O remédio para tal ação perigosa é encontrado em Romanos 13.14: “Mas tenham as qualidades que o Senhor Jesus Cristo tem e não procurem satisfazer os maus desejos da natureza humana de vocês”.

Provocar nossos desejos não é a melhor forma de vencer uma tentação. Quando Jesus se tornou ser humano, assim como nós, foi tentado como somos diariamente, mas obteve vitórias, e como um perfeito Coach nos dá ferramentas e nos mostra como podemos triunfar sobre desejos e paixões tão avassaladoras em nossa vida. Mas, para aprendermos com Ele, é essencial,  portanto, que analisemos cuidadosamente de que forma Jesus venceu suas tentações.

Após o seu batismo, com a roupa ainda molhada, Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto, na mesma área em que João Batista vivia e pregava. Lá, foi deixado por Deus durante quarenta dias e quarenta noites, sendo tentado pelo Diabo.

Salienta-se que, logo após ter sido batizado e, oficialmente apresentado como o Cordeiro de Deus, o Coach da Vida teve de passar por um deserto. O deserto é a experiência pela qual todos nós, em muitos momentos de nossa vida, passamos. Isso é um fato, todos nós temos que passar pelo deserto. Alguns passam mais de uma vez, pois o deserto é uma das matérias a ser estudada na escola de Deus. Deserto é um local onde a chuva é um evento raro. Por conta disso, as baixas umidades associadas ao calor extremo fazem a vida humana e a da maioria dos animais se tornarem árida e difícil. Em muitos momentos de nossa vida, passamos por situações que se assemelham ao deserto.

A aridez começa a tomar conta de tudo ao nosso redor, causando baixa autoestima, decepções, humilhações, derrotas, e uma série de sofrimentos que parecem intermináveis, pois não conseguimos ver qualquer sinal de uma chuva refrescante diante de nós.

A passagem pelo deserto é algo recorrente e, quase sempre, inesperada. Isso nos faz questionar o porquê de passarmos por tantas dificuldades. Por que temos que estudar esta matéria? Não dá para pular, faltar esta aula? O fato é que o deserto é importante para formar nosso caráter e nos dar a resiliência de que precisamos para subir de nível na escola da vida.

O deserto é o local escolhido por Deus para disciplinar, corrigir, educar, transformar e preparar aqueles a quem Ele mesmo escolheu para cumprir uma grande missão nesse mundo. Uma vez que os filhos de Deus são chamados para cumprir um propósito, enfrentarão oposição, agruras, fome, sede, dificuldades, sofrimento, dor, angústia e toda sorte de aflições; nesse sentido, o deserto é o melhor lugar para se aprender na prática essas difíceis lições que de outra forma não aprenderíamos. Foi por isso que Jesus também teve que passar por um deserto. Como todos nós já sabemos o que Ele teria que enfrentar, fica mais fácil entender que o deserto iria prepará-lo para dias difíceis.

Jesus foi levado ao deserto para ser tentado durante quarenta dias e quarenta noites. Para piorar sua passagem pelo deserto, não teve como se alimentar durante esses dias, ficando extremamente debilitado. Agora pense comigo: Quantas pessoas desistiram, logo nos primeiros dias, ao começar uma empreitada como esta?

Imagine você abrir um comércio, e durante quarenta dias não vender nada? Casar com a pessoa amada e durante quarenta dias ser ignorado? Mudar para uma nova casa e durante quarenta dias ser atormentado por uma assombração todas as noites? Ser abandonado por seus pais, em um deserto, e lá, durante quarenta dias e quarenta noites, sofrer e passar fome!

O deserto não foi algo comum para Jesus, pois o que era comum, como água e belas paisagens, foi deixado no rio Jordão. O deserto foi e será atípico para qualquer um de nós. É um parêntese obscuro na história de nossa vida. Como se não bastasse o deserto, que nos deixa fraco e vulnerável, nosso Coach enfrentou a tentação por quarenta dias e quarenta noites, e a batalha não se limitou a apenas três perguntas. Jesus passou durante todo esse tempo um inferno longo e solitário.

Veja a sequência dos eventos pré-ministeriais de Jesus:

  • Ele é batizado;
  • Recebe a Unção (ou batismo no Espírito Santo) e a testificação (ou confirmação) do Pai;
  • É levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado e,
  • É capacitado para cumprir sua missão. (deserto)

Deus não pula etapas, por isso Jesus precisou passar pelo deserto, o que configura um princípio importante no processo de Coaching. E isso vale para a história de qualquer pessoa que deseja atingir um propósito em sua vida. Deus jamais fará você tropeçar no caminho. As etapas de seu plano de vida já estão planejadas.

Primeira tentação: crença sabotadora

Após alguns dias, Satanás se passando por um ser bondoso e sabendo que Jesus estava com muita fome, aproximou-se sorrateiramente e disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras virem pão.”

Por que Satanás diria isso? Você lembra do que Deus falou sobre Jesus no dia de seu batismo? Com certeza, Satanás ouviu essas mesmas palavras de Deus “Este é o meu filho amado, que me traz muita alegria”. Estava na hora do Diabo questionar esse valor e, quem sabe, instalar uma crença sabotadora na mente de Jesus. Ao assumir a natureza do homem, Cristo não manteve aparência semelhante a dos anjos, pois esta era uma das humilhações pelas quais necessitava passar quando voluntariamente aceitou tornar-se o Salvador da humanidade. Esse fato, associado aos problemas pelos quais estava passando, faria de sua mente um campo fértil para plantar crenças sabotadoras.

A engenhosidade do questionamento era desafiadora. Se realmente Jesus era o filho de Deus, deveria prover alguma evidência de seu exaltado posto, se é que Ele realmente o tinha. Neste momento, Satanás estava sugerindo que se Jesus realmente fosse filho de Deus, seu pai não permitiria que chegasse a uma situação tão deplorável. Particularmente, acredito que Satanás estava insinuando que talvez Ele fosse um dos anjos expulsos do céu e enviado à Terra, e que a aparência de Cristo indicava que Ele era o tal anjo caído, que foi abandonado, e não o Rei dos céus, o filho de Deus.

Esse é um tipo de crença que ouço muito em minhas sessões de Coaching. Pessoas que se aprisionam em mentiras a respeito de si mesmas. Muitos não conseguem dar um passo em direção aos seus objetivos por acreditarem que não são o que  verdadeiramente são.

Você nunca vai dar nada na vida! Você é um zero a esquerda como seu tio! Você nunca vai conseguir! Se você continuar assim, nunca vai ter sucesso! Como você é burro! Você é um egoísta! Você é um relaxado! Você nunca será igual a mim! Você é um  teimoso igual ao seu pai! Infelizmente, isso é o que ouvimos muitas vezes até de nossos pais. E acabamos acreditando e vivendo essas afirmações na realidade. Isso me faz lembrar do conto que fala de um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa.

O homem conseguiu pegar um filhote de águia, colocou-o no galinheiro com as galinhas e o alimentava com milho e ração própria para galinhas, embora fosse uma águia, o rei de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um especialista em aves de rapina.

Enquanto passeavam pelo jardim, o especialista disse: Esse pássaro aí não é galinha, é uma águia.

De fato, disse o camponês: uma águia, mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia, transformou-se em galinha como as outras, apesar das grandes asas.

Não, retrucou o especialista, ela é, e será sempre uma águia, pois tem um coração de águia que a fará um dia voar às alturas, está no instinto, o Criador a fez assim.

Não, não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O especialista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a, disse: Já que você, de fato, é uma águia, abra suas asas e voe!

A águia pousou sobre o braço estendido do especialista, olhando distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos, e pulou para junto delas.

O camponês comentou: eu lhe disse, ela virou uma galinha!

Não, tornou a insistir o especialista: ela é uma águia, e uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o especialista subiu com a águia no teto da casa e sussurrou-lhe: águia, já que você é uma ave de rapina, abra as suas asas e voe!

Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.

O camponês sorriu e voltou a insistir: eu lhe disse, é uma galinha!

Não, respondeu firmemente o especialista, ela é águia e sua missão é ser uma águia.

Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã eu a farei voar. No dia seguinte, o especialista e o camponês levantaram bem cedo, pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das galinhas, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O especialista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: águia, já que sua missão é ser uma ave de rapina, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas, voe e desfrute sua vida nas alturas!

A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. Então o especialista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem se encher da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico som das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma, e começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou… Voou… Até se confundir com o azul do firmamento.

Assim como essa águia, fomos criados com um propósito, uma missão, com capacidades especiais, talentos e dons. Porém, por conta das circunstâncias da vida, dos traumas de infância ou por causa de pessoas que nos fizeram pensar como “galinhas”, afastamo-nos do entendimento de quem realmente somos. Somos seres incríveis, os mais inteligentes, os mais organizados, os mais capazes. Somos a menina dos olhos de Deus. Somos amados por Deus. Esta é a verdade central da fé cristã: “Deus amou tanto o mundo que nos deu seu filho único para que pudéssemos estar na eternidade com Ele.” Essa é a nossa essência. Muitos acham ainda que são galinhas, embora no seu íntimo sejam verdadeiramente águias.

Satanás aproveitou o estado frágil de Jesus para tentar semear esse tipo de pensamento suicida em sua mente e, como se não bastasse, ofereceu-lhe a oportunidade de corromper-se. É sempre assim, justo nos dias de maior fraqueza, nos piores dias, que nos aparecem as oportunidades para trair, corromper, mentir, roubar.

No entanto, no caso do Coach da Vida, o período de quarenta dias e quarenta noites sem comida, não foi transformado em um jejum cerimonial, cheio de murmurações, mas em uma intensa reflexão e comunhão com Deus. Nessa situação, suas necessidades físicas foram suspensas e a vitória foi alcançada. Sua resposta, como todas as demais, durante aquela prova, seria tirada das Escrituras. Jesus se baseou em Deuteronômio 8:3, palavras escritas por Moisés, ao povo de Israel, no fim da sua vida e disse:

As Escrituras Sagradas afirmam: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mateus 4:4)

Jesus usou sua inteligência para vencer a emoção e seu instinto. Quase todas as crenças sabotadoras que encontram guarida em nossas mentes, entraram pela janela da emoção ou pelo instinto. Se todas as mentiras que ouvíssemos em nossas vidas, passassem pelo crivo da razão, não nos tornaríamos prisioneiros de nenhuma delas.

Em síntese: Somos seres incríveis, dotados de uma inteligência única e, muitas vezes comportamo-nos como animais irracionais. Está na hora de você desconfiar de algumas crenças. Está na hora de discutir racionalmente algumas atitudes. Sabe
como se faz isso? Vamos analisar racionalmente as crenças que satanás usou para tentar a Jesus;

Quer dizer então que para Jesus acreditar que é filho de Deus, precisaria transformar uma pedra em pão? As palavras de Deus, ditas recentemente no rio Jordão não valeram? Quer dizer que para acreditar que nossos pais, irmãos e amigos nos amam, eles precisam nos dar um bom presente? O que dizem e fazem por nós não vale? Esses é tipos de crença que tem ceifado a felicidade de muitas pessoas. Para Jesus, o que Deus diz é mais importante do que a satisfação de suas necessidades físicas e, para isso, Ele recorre às Escrituras para dizer a si mesmo as verdades que não permitirão que as mentiras se instalem como
crenças em sua mente. Se você está assim, sentindo-se diminuído, vá a Bíblia e veja o que Deus diz a seu respeito. Não existirá nenhuma necessidade física que lhe dará mais conforto do que as palavras de Deus a seu respeito.

Não foi por sua aparência física que satanás foi descoberto por Jesus, disfarçado pelo manto de luz que outrora revestia os seres celestiais, o arqui enganador se apresenta ao filho de Deus como se fosse uma resposta direta do trono de Deus. Entretanto suas palavras traem-lhe o caráter, “SE” és o filho de Deus…, essa nota dissonante de dúvida despertou os puros e atentos sentidos de Jesus para a suposta armadilha a qual estaria prestes a cair. A condicional despertada pelo anjo “SE”, ativou um gatilho mental em Jesus que o fez lembrar imediatamente da recente e solene declaração feita por seu Pai diante do universo, “Este é meu filho amado, que me dá felicidade.”

Como poderia um mensageiro celestial duvidar da própria palavra de Deus? No próximo artigo, aprenderemos mais sobre crenças sabotadoras e como vencê-las com o Coach da Vida.

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